A Vila Histórica de Mambucaba, popularmente conhecida como Mambucabinha é um povoado situado no litoral do município de Angra dos Reis, na região Sul Fluminense, estado do Rio de Janeiro, às margens da BR-101 (Rio-Santos).
Dados Gerais
Atualmente a vila é ponto de veranistas que vêm de outras regiões do Sul Fluminense, da cidade do Rio e do estado de São Paulo, possuindo cerca de 700 habitantes fixos (alcançando aproximadamente 10000 visitantes no Verão), mantendo boa parte do casario colonial que lhe fez famosa.
Diversos bares e restaurantes fazem com que a noite em Mambucaba esteja sempre agitada nos meses de Verão.
Sua infra-estrutura teve grandes melhorias nos últimos anos, tendo praticamente todas as ruas recebido calçamento e iluminação pública. Um posto de saúde e uma escola também são oferecidos à população local pela Prefeitura Municipal angrense.
Existem ainda com esse nome duas vilas residenciais mantidas pela estatal Nuclebrás para empregados da Usina nuclear de Angra dos Reis, bem como o distrito onde se situa esse povoado.
História
Essa vila, onde já existiu um importante porto exportador de café e importador de escravos, além de um vice-consulado francês nos séculos XVIII e XIX, tem como topônimo o mesmo nome do rio que junto a ela encontra o mar, tendo sua nascente no estado de São Paulo, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, rio este que marca a divisa dos municípios de Angra dos Reis e Paraty.
O nome, de origem indígena, tem significado controverso. Alguns afirmam que deriva de mambuca, uma pequena abelha sem ferrão mais conhecida como "japurá" (ou abelha-cachorro), abundante na região. Alguns outros que se refere a uma planta muito abundante ali.
Há ainda outros que defendem significar passagem. Esta última interpretação busca origem no fato de que margeando o rio temos um caminho que já era utilizado pelos índios da região como meio de ligação com o planalto paulista. Este caminho chegou a ter longos trechos calçados, utilizando mão-de-obra escrava, para o escoamento da produção cafeeira dos ricos barões, como o de Bananal, estabelecidos no planalto, na cidade de mesmo nome.
Há relatos de época sobre a resistência dos índios, que utilizavam o lugar como local de coleta de alimentos, diante da ocupação pelos portugueses no século XVI, segundo estes relatos os índios permaneceram na margem sul do rio e dali atacavam com freqüência os portugueses que se instalaram na margem norte (local da atual vila). Os portugueses eram obrigados a manter vigilância diuturna diante da ameaça.
Os europeus persistiram no local e ainda no século XVI, estabeleceram ali um importante ponto de caça a baleia para produção de óleo. Cabe salientar que estes locais eram de tamanha importância para o Reino português que seu estabelecimento só se dava com autorização do próprio rei.
A vila ganhou um casario significativo durante a época aúrea do café, tendo até um teatro, uma igreja dedicada à Nossa Senhora do Rosário e razoável e variado comércio. Com a decadência do porto, após a ligação ferroviária entre São Paulo e Rio em 1872, passou por décadas de abandono e letargia econômica.
Em 1968 foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — IPHAN, sendo um dos raros sítios históricos brasileiros que foram tombados em sua totalidade, não somente as edificações, mas o traçado urbano e equipamentos referentes à ocupação do local.
A abertura da rodovia Rio-Santos no início da década de 1970 chegou a ameaçá-la, gerando vários protestos de movimentos culturais da sociedade civil em Angra dos Reis. Nessa década ainda foi desativada a subdelegacia policial lá existente.
Nas décadas seguintes, com a chegada da energia elétrica (1984), rede de água potável e calçamento de suas ruas, o turismo de veraneiro se estabeleceu como a principal fonte de desenvolvimento local.
Vaje também
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